Episódio 4 — O Fogo Que Não Queima (Ainda)

A Retaguarda Vulnerável
A tensão no beco não aumentou; ela se solidificou. Broklin sentiu a presença dela antes mesmo do toque. Kelma chegou por trás dele, silenciosa como uma sombra digital. Ele podia sentir o calor da respiração dela roçando a pele sensível do pescoço, arrepiando cada nervo de sua coluna vertebral.
Broklin fechou os olhos com força, como se tentasse reiniciar o sistema para evitar um erro fatal. "Não faz isso," ele sussurrou, a voz saindo como um pedido de clemência.
"Por quê?" — o sussurro dela foi quente, úmido, direto no ouvido dele.
"Porque eu não vou conseguir parar." A confissão saiu antes que ele pudesse criptografá-la.
O Ponto de Ruptura
Kelma deslizou a mão lentamente pelo braço dele, sobre o couro da jaqueta, como se estivesse mapeando o território que pretendia conquistar. "É isso que eu quero," ela disse, sem hesitação.
A reação de Broklin foi instintiva. Ele se afastou rápido, quase tropeçando nos próprios pés, cambaleando para longe do toque dela como se tivesse se queimado. Ele se virou, a respiração pesada, os olhos arregalados de pânico.
"Não," ele disse, erguendo as mãos. "Se eu começar... não vai ter volta."
A Resistência Final
Kelma não se ofendeu com a rejeição física. Pelo contrário. Ela deu um sorriso pequeno, satisfeito, de quem sabe que a defesa inimiga está por um fio. "Eu não quero volta, Broklin," ela declarou, a voz firme. "Quero você."
O silêncio caiu sobre eles novamente. Broklin ficou ali, respirando fundo, lutando uma guerra civil contra o próprio corpo. Ele queria. Deus, como ele queria. Cada célula do seu ser gritava para ele ceder. Mas ele era teimoso. Orgulhoso. Emocionalmente blindado por camadas de culpa e lealdade.
Ele engoliu em seco, recuando mais um passo para as sombras. "Kelma..." — ele disse, a voz rouca de desejo contido — "...não hoje."