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ECOS DA RQS

ARCO BROKLIN

Temporada 2 19/04/2026

🔥 EPISÓDIO 3 — O CONFRONTO COM JONAH

🔥 EPISÓDIO 3 — O CONFRONTO COM JONAH

(Kelma vs Jonah — O fim que ele não aceita.)

Kelma chegou na Rua 666, exatamente onde havia marcado. Ela tinha passado a madrugada com o coração em guerra, e Broklin ainda queimava nela — na pele, na mente, na memória. Mas agora… agora vinha a parte mais difícil. A parte inevitável.

Jonah estava encostado na parede de tijolos frios de um beco iluminado por neon, as mãos nervosas esfregando o próprio rosto. Ele não tinha cara de quem estava ali para ditar as regras; ele tinha a postura de quem estava desmoronando. Os olhos dele estavam vermelhos — não havia dormido um segundo sequer desde a mensagem dela.

Assim que ele a viu emergir da neblina da rua, ele avançou rápido demais, quase tropeçando nas próprias botas pesadas, como se ela fosse a última nota de uma música que ele estava prestes a esquecer.

🎸 JONAH (Jo Cyborg) (com a voz rachada, embargada, soando como a distorção de um amplificador no limite):
“Kelma… pelo amor de Deus, onde você se meteu?! Eu quase virei essa cidade do avesso! Eu te liguei vinte e três vezes... Vinte e três! Quando eu li aquela sua mensagem de que não estava onde eu pensava, a minha cabeça entrou em curto... Eu achei que... eu não sei o que eu achei!”

Ele levantou as mãos, quase tocando os ombros dela, mas recuou no último milissegundo, sentindo a barreira invisível que Kelma havia erguido.

“O que tá acontecendo com a gente, amor? Me diz que é só o estresse da gravadora... me diz que é só mais uma crise no estúdio.”

Kelma não respondeu de imediato. O som distante do tráfego e o zumbido dos letreiros preenchiam o vazio entre eles. Como eles estavam na rua, não havia mesa para colocar a bolsa. Ela apenas apertou a alça de couro com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos. Ela aterrou os pés no asfalto úmido, ancorando-se na própria decisão.
Ela respirou fundo, deixando o ar gelado da Rua 666 invadir seus pulmões e apagar qualquer resquício de dúvida.
Ergueu o rosto.
Havia uma firmeza inabalável ali. O peito apertava de dor pela história que construíram, mas os olhos dela... os olhos dela eram de pedra.

KELMA (calma, mas firme):
“Jonah… a gente precisa conversar.”

A frase bateu nele como uma pancada. Jonah deu um passo para trás, como se estivesse sendo empurrado por algo invisível. Ele sabia que era algo sério. Ele sentia que tinha algo errado. Mas não queria aceitar. Ele estava sem acreditar no que podia imaginar.

JONAH (voz falhando):
“Kelma… não. Não diz isso. Não me vem com esse papo de .. terminar. A gente… a gente se ama. EU SOU LOUCO POR VOCÊ, KELMA!!!!!!!!”

Kelma engoliu seco. Foram anos de namoro. Histórias mal contadas. Promessas falhadas que não foram cumpridas. Mas não amor. Não dá mais. Você agora será só o meu código legado. Irei fechar o seu acesso ao meu servidor. >_ACCESS DENIED.

Jonah passou as mãos pelo cabelo, puxando os fios com força, como se a dor física pudesse distraí-lo do que estava ouvindo. A recusa dela, aquele silêncio logo após o desespero dele, era uma parede de concreto que ele estava batendo de frente a duzentos por hora.

Ele deu um passo na direção dela, tentando desesperadamente diminuir o abismo que já os separava, mas Kelma não recuou e nem cedeu um milímetro. A expressão dela era uma porta trancada por dentro.

JONAH (Jo Cyborg) (a voz agora misturando o desespero com uma raiva nascente, as palavras saindo cortadas):
“Você não pode simplesmente desligar as coisas assim! A nossa história, Kelma! A banda! A nossa música! Você vai jogar anos no lixo como se... como se eu fosse um erro? Como se eu não significasse nada?!”

Ele parou. A respiração ofegante criando pequenas nuvens de vapor no ar frio da Rua 666. E então, os olhos vermelhos dele faiscaram com uma epifania cruel. Ele juntou as peças.

JONAH (Jo Cyborg) (apontando o dedo trêmulo na direção dela, o tom de voz subindo):
“É ele, não é? Não tenta mentir pra mim, Kelma. Eu vi. Eu vi o jeito que ele olha pra você no estúdio. Eu vi como você muda quando ele liga a droga daqueles sintetizadores. É o Broklin! Você tá me deixando pelo nosso baixista?!”

Jonah riu. Uma risada seca, dolorida, sem um pingo de humor. A distorção total de um coração em curto-circuito.

JONAH (Jo Cyborg) (com lágrimas de frustração nos olhos):
“Me diz a verdade. Olha nos meus olhos e me diz que você não tá trocando tudo o que a gente construiu por um cara que só fica ali escondido no fundo do palco!”

KELMA:
“Eu não te amo mais, Jo. Eu ... eu sinto muito. Eu sei é difícil pra você, mas.. eu não quero te iludir com mentiras de que te amo. Eu nunca te amei como você merecia.”

As palavras saíram baixas, porém inegociáveis. Sem raiva. Sem culpa. Só verdades. Kelma tentou acalmá-lo. Eu fechei a sua chave de acesso, porque está com outra pessoa, mas não irei contar agora quem é. Jonah tremeu — não de fúria, mas de medo.

JONAH (quase chorando):
“Não… não faz isso comigo. Eu faço qualquer coisa, Kelma. Eu mudo. Eu juro. Só… não termina. NÃO!!! NÃO FECHA O ACESSO, KELMA!!!!!! NÃO!!!!!!!!!!!”

Ela fechou os olhos por um segundo. A dor dele machucava, é claro. Kelma não queria feri-lo. Mas continuar seria crueldade.

Kelma deu um passo à frente, mas não para abraçá-lo. Apenas para que ele pudesse ouvir a voz dela por cima do barulho da rua e do próprio desespero dele.

KELMA (com a voz suave, mas firme como rocha):
“Você não tem que mudar, Jo. Esse é o problema. Se você tentar reescrever a sua essência pra caber no meu mundo, você deixa de ser você. Você merece alguém que ame a sua distorção do jeito que ela é... não alguém que passe a vida tentando diminuir o seu volume.”

He cries

Jonah escorregou as costas pela parede de tijolos até quase cair de joelhos, os ombros largos desabando como se a gravidade da Rua 666 tivesse dobrado de peso. As mãos dele cobriram o rosto, e o som do choro de um cara que sempre se mostrou tão invencível no palco cortou o ar gelado.

JONAH (Jo Cyborg) (com a voz abafada pelas mãos, completamente quebrado e derrotado):
“Quem é, Kelma? Quem foi que conseguiu a droga do acesso que eu passei anos tentando decodificar? Só... me diz o nome dele. É o mínimo.”

Ela segurou a alça da bolsa mais forte. A imagem de Broklin no Apartamento 14, esperando com os braços abertos e o sistema pronto para recebê-la, piscou na mente dela, aquecendo o frio daquela rua.

KELMA (balançando a cabeça devagar, dando o primeiro passo definitivo para trás):
“Não importa quem é o novo Tech Lead do meu coração, Jonah. O que importa é que o nosso servidor foi desligado. Pra sempre. Fica bem... por favor. A nossa música ainda vai viver, mas a gente... acabou.”

Ela virou as costas. O som das botas de Kelma batendo no asfalto molhado parecia o tique-taque de um relógio marcando o início de uma nova era. Ela não olhou para trás. Não podia. O código legado ficou ali, encostado na parede fria, processando o erro fatal, enquanto ela caminhava de volta para o único lugar onde o coração dela tinha permissão de root.

KELMA (com a voz firme, mas dolorosamente honesta):
“Jonah… não tem conserto. Não é um cabo que a gente pode trocar ou uma faixa que dá pra mixar de novo. Não é você. É o ‘nós’ que acabou.”

Jonah passou as mãos no cabelo com brutalidade, andando em círculos curtos pelo asfalto molhado como um homem em colapso, um animal enjaulado na própria mente.

JONAH (a voz crescendo, a distorção da raiva começando a vazar):
“Tem outro?”

Kelma parou. Os letreiros neon piscavam refletindo nos olhos dela. Ela não mentiria. Mas revelar Broklin agora, ali naquele beco… seria acender um pavio perigoso em um barril de pólvora. Jonah tinha um ciúme doentio. Uma possessividade tóxica que ela conhecia bem demais. O sistema dele não suportaria o nome do Baixista.

Então ela apenas sustentou o olhar e disse:

KELMA:
“Isso não importa. Eu só não te amo mais.”

Jonah ficou imóvel. As botas cravadas no chão. Em silêncio. Respirando pesado, o peito subindo e descendo de forma errática. E então… algo no olhar dele quebrou de vez. A dor cedeu espaço para a paranóia.

Dispute

JONAH (frio, ferido, acusador):
“Você tá me abandonando por alguém. Eu sei. Eu sinto. A sua frequência mudou, Kelma. Você tá olhando diferente... como se estivesse ouvindo uma melodia que eu não conheço.”

Kelma manteve a postura inabalável. Uma verdadeira Arquiteta diante de um sistema em falência.

KELMA:
“Eu tô me escolhendo. E isso deveria ser suficiente pra você entender.”

Ele se aproximou devagar, os ombros curvados, como se tivesse medo de que ela evaporasse na neblina se ele a tocasse.

JONAH (a voz baixa, fraca, um sussurro desesperado):
“Eu não aceito esse fim, Kelma. Eu não… consigo.”

Ela deu um passo atrás no asfalto, a bota ecoando no silêncio da rua, finalmente criando a distância física que refletia a distância emocional entre os dois.

KELMA:
“Você vai ter que aceitar.”

Foi a frase mais dura que ela já disse na vida. A lâmina mais afiada. Mas a mais necessária.

Jonah respirou fundo — um som rasgado, quase um soluço preso na garganta — e virou o rosto. Ele enxugou uma lágrima rápido demais, com as costas da mão, como alguém que se recusa a demonstrar fraqueza e transforma a própria dor em ataque.

JONAH (quebrado, rancoroso, com o olhar escurecido):
“Eu te aviso, Kelma: Se você estiver com alguém… se tiver outro cara tentando ocupar o meu lugar... isso não vai terminar bem.”

Kelma sentiu o coração gelar. Não por medo de uma ameaça vazia — mas por confirmação. Ela estava absolutamente certa em proteger o servidor de Broklin. Jonah realmente reagiria da pior forma possível. O código dele estava corrompido.

Ela ajustou a alça da bolsa no ombro, olhou para o homem com quem dividiu anos de palco, e entregou a linha final de comando:

KELMA:
“Eu não vou voltar, Jonah. Então… tenta seguir em frente.”

E virou as costas. O som das botas dela se afastava, enquanto Jonah ficava para trás, sozinho na Rua 666 — engolido pelas sombras do neon, pela dor, pelo ciúme, e com a suspeita que agora o corroeria vivo por dentro.

Kelma, caminhando para fora do beco, respirou profundamente. O ar frio da madrugada encheu seus pulmões. E pela primeira vez em muito tempo… era um ar absurdamente leve.

Broklin a esperava no fim daquele caminho. No Apartamento 14. Com a porta destrancada. E ela havia escolhido.

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