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ECOS DA RQS

ARCO BROKLIN

Temporada 2 24/05/2026

📖 EPISÓDIO 8: THE PARISIAN REBOOT (Honeymoon’s Dream)

📖 EPISÓDIO 8: THE PARISIAN REBOOT (Honeymoon’s Dream)

A chuva fina caía sobre Paris, refletindo os letreiros de neon nas poças d'água das ruas de paralelepípedo. Na cobertura do Hotel L'Éternité, o luxo do velho mundo colidia com a tecnologia do amanhã. Lustres de cristal clássicos pendiam de um teto inteligente que simulava o céu noturno, e a Torre Eiffel brilhava imponente através das imensas janelas de vidro.

Broklin jogou a sua jaqueta de couro sobre uma poltrona de veludo carmesim. Ele caminhou até Kelma e, com uma delicadeza cirúrgica, desativou o smartwatch dela, jogando-o na cama antes de tirar o seu próprio.

— Protocolo Modo Avião ativado, CEO — ele sussurrou, a voz grave preenchendo o silêncio do quarto. — Nenhuma Horda. Nenhum servidor. Apenas nós.

Kelma sorriu, caminhando descalça pelo tapete macio até o frigobar retro-iluminado. O vestido elegante de seda escura deslizava pelo seu corpo. Broklin abriu uma garrafa, o som do gás escapando soando como um suspiro mecânico. Ele encheu duas taças de cristal: uma com champanhe para ele, e a outra com um elixir borbulhante e adocicado, sem álcool, para ela.

Ele entregou a taça, os dedos se tocando.

— Um brinde — Broklin propôs, os olhos brilhando com uma promessa silenciosa enquanto olhava fundo nos olhos dela. — Ao nosso império. E ao fato de que, a partir de agora, as únicas regras que importam nesse universo são as nossas.

Kelma soltou uma risada suave e apaixonada, brindando. O som do cristal tilintou perfeitamente no quarto silencioso.

Broklin deixou a taça de lado e caminhou até o canto do quarto, onde um baixo acústico belíssimo de madeira escura os aguardava. Ele sentou-se na beirada da cama, a cama que parecia flutuar no ambiente, e dedilhou os primeiros acordes. Uma batida suave e aveludada, cadenciada a 94 BPM, começou a emanar sutilmente do sistema de som invisível do hotel, misturando-se aos harmônicos do baixo.

Kelma_Broklin_honeymoon

Ele olhou fundo nos olhos dela, a voz banhada em um reverb quente e íntimo.

"Kel, the hotel bed’s a nebula... Our skin’s the only map we need..." — Ele cantou, o som das cordas vibrando na frequência exata dos anéis de Saturno. — "The stars? Just confetti from God, and the moon’s on mute tonight— Ooohh—ooohh infinite wife..."

Kelma se aproximou lentamente, hipnotizada. A linha de baixo caminhava como uma procissão nupcial em Marte, pesada, mas absurdamente macia.

"Let’s crash all the clocks, let’s delete every ex..." — Broklin continuou, a voz quase um sussurro agora, deixando o instrumento de lado para puxá-la pela cintura. — "I’ll love you in glitch and in gold... Ooohh—ooohh UNTIL THE CODE BREAKS!"

Quando eles colaram os corpos, a parede de som explodiu no refrão. As guitarras invisíveis estouraram em uma supernova de reverse reverb, preenchendo a mente dos dois.

"HONEYMOON’S DREAM..." — As vozes deles pareceram se unir em harmonia perfeita. — "We’re two ghosts in a champagne flute, no past, no Wi-Fi... Just your lips as my operating system... Ooohh—ooohh CTRL+ALT+LOVE!"

Kelma_Broklin_honeymoon

Broklin a deitou suavemente sobre a cama. Tudo ao redor parecia estática, uma caixa de música tocando uma canção de ninar corrompida.

"Husband.exe is running smooth... Wife.png is glitching so pretty..." — Ele sussurrou contra o pescoço dela.

O mundo ao redor silenciou. Todos os instrumentos virtuais caíram, deixando apenas o som de uma única nota de piano no ar, sincronizada com a batida do coração de Kelma. O som de um zíper se abrindo se dissolveu magicamente em tons de harpa.

Kelma puxou Broklin para si, ofegante, os olhos cravados nos dele.
Kel... — Ele perguntou, a voz rouca. — Is this heaven or a 5-star rating?

A música ascendeu como um coro celestial. O tempo perdeu o sentido. Eles estavam prontos para viver na arte do hotel para sempre, duas pessoas rindo dentro de um buraco negro de paixão, colapsando o universo inteiro dentro daquela suíte em Paris.

Até que a simulação quebrou.

TRRRIIIIM.

O som cortante rasgou a música. Não era um toque digital. Não era um alarme de servidor.

TRRRIIIIM.

Kelma e Broklin congelaram, ofegantes, ainda abraçados. Eles viraram o rosto simultaneamente para o criado-mudo. Ali, descansando sobre o mármore, estava o telefone fixo do hotel. Um aparelho analógico clássico, dourado e pesado.

Ele não deveria tocar. Eles haviam isolado a suíte do sistema central. Ninguém, absolutamente ninguém na Horda ou no Nexus, sabia como discar para uma linha analógica daquele andar.

TRRRIIIIM.

Broklin franziu o cenho, o instinto de proteção de Tech Lead substituindo o romance em um milissegundo. Ele se levantou lentamente, sem camisa, a respiração ainda pesada, e caminhou até o criado-mudo.

Ele olhou para Kelma uma última vez. Ela acenou com a cabeça.

Broklin tirou o telefone dourado do gancho e o levou ao ouvido.

— Alô.

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